RuPaul acusada de transfobia em seu programa? Entenda o caso.

Como alguns dos frequentadores mais antigos do site sabem, amamos RuPaul e seu Drag Race. A última temporada, por exemplo, foi discutida e teve sua final comentada ao vivo aqui no Arrazou. E não é que RuPaul volta a ser notícia, mas dessa vez de uma maneira não muito legal. Para quem não conhece o RuPaul´s Drag Race (bora praticar o inglês), trata-se de um reality show que elege a mais top drag queen da América. Pois bem, em cada início de programa, as concorrentes recebem uma mensagem de RuPaul via she-mail (trocadinho envolvendo as palavras she e e-mail). E é que a coisa começa a azedar.

No episódio 4 da temporada que terminou recentemente (season 6), houve um mini-challenge em que eram mostradas partes dos corpos de diversas pessoas, e as drags tinham que responder se era um corpo de mulher (female) ou homem (she-mail).Veja o vídeo abaixo para entender a história:

Algum problema? Para RuPaul, para mim e para você, que não somos transexuais, talvez não. Mas para as associações que lutam pelos direitos LGBT dos EUA, sim. Numa tradução livre, she-male tem o peso de mulher-macho. O termo tranny, equivalente a travinha e citado no programa, também foi alvo de bafafá. Tanto que o quadro “she-mail” foi abolido e a Logo, emissora exibidora, pediu desculpas públicas.

A delicadeza da questão, aqui, são quem proferiu tais “ofensas transfóbicas”: RuPaul. A drag queen mais famosa do mundo carrega a bandeira de lutas pelos direitos LGBT desde a década de 80, quando ainda figurava em filmes B. E justo em seu programa formado por concorrentes gays, exibido em uma emissora gay e destinado ao público LGBT, há esse tipo de acusação.

Sonique (season 2), Carmen Carrera (season 3), Kenya Michaels (season 4), Monica Beverly Hillz (season 5) foram as participantes do Drag Race da Rupaul que se assumiram transexuais durante ou depois de suas participações. Monica, por exemplo, o fez durante uma das principais provas (veja o momento):

Carmem Carrera é talvez a mais conhecida de todas, chegando a desfilar junto das modelos do Victoria’s Secret’s. Ontem, em seu Twitter, Carmem postou uma imagem que mostra RuPaul dizendo TR*NNY, seguida de vários lobos, caindo de um penhasco. A legenda da foto: “Sigam o líder!”. Essa foi a maneira de Carmem rebater a quebra de silêncio que RuPaul fizera até então. Numa entrevista com o comediante Marc Maron, em seu podcast chamado WTF, RuPaul defendeu o uso da palavra tranny. “”A palavra ‘tranny’ me incomoda? Não. Eu amo a palavra “tranny”.

carmen e rupaul

“Não se atreva a me dizer o que posso ou não fazer. São só palavras. E sim, palavras machucam. Mas quer saber? Bitch, você precisa ser forte! Por quê? Se você ficou realmente chateado com algo que eu disse, você tem problemas muito maiores do que você pensa. Tô te dizendo…” – RuPaul

Para RuPaul, não é a comunidade transexual que tem se manifestado, mas uma meia dúzia de gatos pingados que buscam fortalecer suas identidades como vítimas da sociedade. E que por meio de ações como esta, o poder dado ás palavras acaba fortalecendo o discurso do opressor. “Não é a palavra em si, mas a intenção por detrás dela.” Utilizando um exemplo do site ladobifica mais fácil compreendermos o que RuPaul quer nos dizer: Danilo Gentili afirma não se incomodar em ser tachado de gay. “(…) eu não sou e porque ainda que eu fosse gay, ser gay não é algo ruim. Não tem nada de errado nisso”. Logo, se há alguma ofensa ao ser chamado de viado, gay ou tranny, você está se vitimizando e dando poder ao agressor.

Em seu Facebook, RuPàul expõe seu desencanto com a “comunidade” LGBT:  “estou mais ofendida/magoada pela má utilização da palavra “comunidade”. E para a Logo, que tratou de se esquivar de qualquer responsabilidade da questão, RuPaul deixa um aviso: Acredite! A LogoTV não se distanciou de mim, não enquanto eu ainda estiver pagando a porra da conta de luz de lá!” Hoje, Rupaul´s Drag Race é de longe o programa mais visto da Logo e, por conseguinte, o que arrecada mais receita. 

Comentários

  1. Puro oportunismo barato, tudo bem questionar e falar da ofensa. Mas meu já foi retirado do ar o termo, já houve um pedido de desculpas público, querem é circo e aparecem em cima disso.

    O que a rupaul e o drag race representa para a classe é de longe muito maior que tudo..